Ideias

Mais um começo

Publicado em fev 2013, no blog que mantive até 2016.

Quero abrir meu blog contando um pouco da minha história e de como o Buscapé foi criado.

Eu sempre digo que não acredito em momento “eureca”. Para empreender é preciso estar aberto, antenado e, acima de tudo, estar disposto a trabalhar muito. Eu tenho espírito empreendedor desde pequeno.

Na faculdade de engenharia, comecei a encontrar pessoas que dividiam a mesma paixão. Nessa época conheci o Rodrigo e o Ronaldo e nos juntamos para pensar em modelos de negócios para empreender.  O Buscapé foi a 5ª tentativa de negócio.

Tudo começou quando o Rodrigo estava à procura de uma impressora, mas não conseguia encontrar nenhuma informação sobre produtos e preços. A partir de uma dificuldade, tivemos a ideia de criar o ”Quanto Custa”.

A ideia era simples. Pegaríamos os preços dos varejistas, passaríamos para um sistema do nosso computador e, assim, daríamos aos consumidores a possibilidade de comparar preços de produtos. Brilhante! Havíamos só esquecido de um detalhe: a internet ainda não era tão popular e fomos chamados de loucos por querer colocar preços das lojas na internet, que na época cobrava 3,99 por minuto.

Insistimos na ideia. Passamos dias e dias trabalhando. Até que descobrimos que existia um modelo de negócio idêntico nos Estados Unidos e perdemos o ineditismo. Fomos correndo registrar o nome ”Quanto Custa” no Brasil e descobrimos também já existia.

Decidimos então escolher um novo nome e precisava ser rápido. Meu sócio começou a brincar com nomes como Buscapreço, Buscaproduto, Buscaoferta, até chegar em Buscapé. No começo, todos acharam infantil, mas eu resolvi apostar e registramos.

Lançamos o Buscapé em junho de 1999. Em setembro do mesmo ano a internet explodiu.  Conseguimos investidores e, em 2001, foi o ano que tivemos a primeira receita no nosso modelo de negócios. Eram destaques no resultado de busca, a loja pagaria por clique para aparecer nesses destaques.

Em 2002, tivemos o ano mais importante, pois atingimos um ponto de equilíbrio. Todos os grandes varejistas já pagavam para estar listados nos destaques. Só um que não. Um grande varejista que ameaçou nos processar quando lançamos o Buscapé. Como ele era o único que ainda não pagava para aparecer nos resultados de busca, resolvemos tirá-lo do ar. No dia seguinte, esse varejista me ligou e ameaçou nos processar, caso ele não aparecesse nos destaques.

Para nós, esse foi o “day one” do Buscapé. Aquela foi a primeira vez que entendemos que o negócio tinha dado certo. Percebemos que, não importa se era nós ou o Buscapé, nós tínhamos conseguido transferir um pouco do poder de decisão de compra da mão do varejista para a mão dos consumidores. E que as pessoas já percebiam o valor disso.

Nos quatro anos seguintes, expandimos para a América Latina, começamos a investir em outros modelos de negócio, sem ser comparador de preços. Em 2009, 91% do Buscapé foi comprado pela Naspers.

A partir daí, todo mundo começou a me perguntar por que eu ainda continuo trabalhando? Por que eu continuo no Buscapé se eu não sou mais o “dono” da empresa? E a resposta é simples: porque eu ainda sou apaixonado por esse negócio. O Buscapé fez a gente abrir várias caixinhas escritas “impossível”, uma atrás da outra. E não existe nada mais incrível do que abrir essas caixinhas.